Coldfoot/Prudhoe Bay/ACIDENTE - Parcial 426,4 Km (265 MT)/Total 1.477,1 Km (918MT)
Combinamos sair logo cedo do hotel em Coldfoot para voltarmos no mesmo dia. Ainda não vi "noite escura" no Alaska. Tem anoitecido em média a meia noite e amanhecido logo após as 3 da manhã. E a noite não é tão escura assim, sempre tem uma belíssima lua.
Tanto no dia anterior quando chegamos a Coldfoot quanto nesta manhã, muitas pessoas recomendando muito cuidado. Especialmente com os caminhões e as pedras na estrada. Estamos mais atentos do que nunca e antes de sairmos, relembramos o briefing da pilotagem em estrada com piso irregular (pedra, terra, barro, areia e etc):
1. Pneus adequados ao peso e com a calibragem correta. Nisso os knobbies estão dando show;
2. Nada de frenagens nem desaceleração em curvas. Ao aproximar dela, reduz na marcha para a velocidade desejada e entra acelerando;
3. Não tirar o pé das pedaleiras em hipótese nenhuma e manter os joelhos juntos ao tanque;
4. Na curva, uma pequena pressão no pedal contrário à curva. Por exemplo, curva pra direita, pressão no pedal esquerdo. É uma técnica muito eficiente para os trilheiros. Claro que já na entrada da Dalton Hwy (AK 11), eu tratei de certificar isso enquanto o Marcio se "ambientalizava" ao terreno;
5. Em caso de desestabilização da moto, não solta o acelerador, apenas o complementa devagar. Nesta situação, a tendencia da moto é alinhar. Quando desestabilizada, "brigar" com a moto é um risco. Nestas condições, tirar o pé do pedal, afastar o joelho do tanque ou tentar forçar o guidão, é chão na certa;
6. Se a queda for eminente, nada de tentar segurar a moto. O melhor é soltar e ir pro chão, pois tentar segurar, é fratura na certa;
7. Equipamentos em dia, ajustados e no lugar certo. Capacete com viseira baixada, queixeira no lugar, luvas nas mãos, jaquetas fechadas e acopladas à calca e as botas adequadas;
8. Limites de velocidade da estrada, do piloto e da moto são cruciais. Não se excede nunca;
9. Em pisos irregulares, é importante ficar em pé na moto para pilotar. No meu caso, e provavelmente no do Marcio também, somos muito altos e isso mais complica do que ajuda. Com o tempo, eu acabei me posicionando melhor sentado do que em pé.
10. Piloto automático???? Nem pensar, é melhor ter a máquina na mão.
Já na entrada da AK-11 ontem, a gente se separou por uns momentos e fomos "sentir" a estrada. Eu tenho mais experiência que o Marcio em estrada de chão e logo me senti a vontade sentado sobre os 110 HP do motor da BMW, principalmente com os pneus "biscoitão" jogando pedra pra tudo que é lado e "grudados" no chão. A suspensão funciona perfeitamente e me atrevi até a fugir um pouco dos padrões de segurança, extrapolando principalmente o limite de velocidade. Claro que foi só pra sentir a moto e a estrada e logo logo, estava parado esperando o Marcio.
Apesar de toda a sua experiencia, senti que a Dalton Hwy assustou o Marcio. Ele mesmo confessou que aquele não era o seu terreno e com toda a responsabilidade e maturidade de um motociclista experiente, resolveu sentir a estrada no seu ritmo, muito mais baixo que o meu e ficou para trás. Isso tudo demorou uns 40 minutos e logo estavamos juntos novamente. Eu o tranquilizei dizendo que os pneus eram bons, a moto estava regulada e dava pra confiar. Também afirmei categoricamente que os limites seriam respeitados, nada de exageros e assim foi dali pra diante. Tanto que logo, o Marcio já estava mais solto confiando mais nas máquinas e a viagem, com aquela paisagem não podia ser melhor.
As 6 da manhã já estávamos na estrada. A Dalton Hwy continua com todo tipo de terreno. Agora nos acompanham muitos buracos, trechos compactados e outros com muitas pedras soltas. Neste momento a suspensão eletrônica da BMW funciona muito bem, ela absorve de forma muito eficiente a irregularidade do piso tornando a pilotagem muito agradável e segura. Mas mesmo assim, a moto vibra bastante.
Essa vibração fez com que, de alguma forma, o paralamas traseiro da minha moto tocasse no pneu em movimento. Isso resultou em um paralamas de "milequinhentos" pedaços espalhados pela estrada. Parei só pra ver o que tinha acontecido e fui obrigado a continuar sem o paralamas. Preciso de um paralamas urgente, principalmente na chuva ou na lama, pois ele faz a diferença.
Aproximadamente 100 Km (60 MT) depois de Coldfoot, encaramos a temida Brooks Range Moutains, a cadeia de montanhas que corta essa região e seu topo chega a 1.500 mts. Depois dela, só a planície ao nível do mar, a tundra ártica.
De cara, uma subida vertiginosa em curva indo ao topo da primeira montanha. Não tem como não lembrar dos Ice Truckers do History Channel. Os caras tem que acelerar tudo na subida e quem está descendo, pára esperando quem sobe passar. Abismo em um dos lados. Paramos e fizemos as tradicionais fotos.
20Km a frente nos deparamos com o Atigum Pass, a passagem da estrada pela montanha. Primeiro subida longa, não muito ingrime mas cercada de penhasco. No topo, um caminhão parado e ainda um pouco de neve na montanha. Paramos de novo e curtimos um pouquinho do frio e da paisagem. Sempre, claro, com o spray de pimenta por perto. Vai que um urso ache graça de nossos suculentos corpos, hahahahahaha.
A descida é perigosa, mais ingrime e, apesar dos "guard rail", o abismo ao lado é arrepiante. Resolvi descer muito devagar para sentir a estrada. O Marcio veio atras e filmou a descida, vale a pena ver o vídeo.
Lá embaixo, mais uma parada, algumas fotos e continuamos viagem. Sempre ao nosso lado o Trans Alaska Pipeline System, o oleoduto que traz o precioso líquido de Prudhoe Bay. A estrada continua insólita, mudando o tempo todo. Muitos caminhões e as camionetas brancas do pessoal da manutenção do Pipeline. Todos, sempre que passam por nós, reduzem a velocidade e sempre buzino, cumprimento, enfim, agradeço de alguma forma.
Naquela pradaria imensa, voltam os temidos mosquitos do Alaska. Insaciáveis e com muitos amigos, pois o bando é sempre gigantesco, não dá nem pra levantar a viseira.
Quase chegando a Deadhorse, o centro administrativo de Prudhoe Bay, demos de cara com um Patrol, que é um trator especial que vem nivelando o terreno, logo após passar o caminhão jogando água. Foi a pilotagem mais difícil até agora, pois o terreno fica muito instável e a moto dá uma "passarinhada", tem que reduzir bem a velocidade e aumentar a atenção.
Chegamos então, as 11:30, a Deadhorse, um acampamento amontoado de containers, maquinas e caminhões de todo tipo. É a administração da região da baia, onde o acesso fora dela é proibido e as grandes companhias exploradoras de petróleo predominam no lugar. Muita poeira pois é tudo cascalho nas ruas. Alguns hoteis e alguns restaurante funcionando todo o tempo. Alguns motociclistas e o nosso amigo alemão que trombamos no marco do Circulo Polar Artico estavam por la. Depois de ver o que queriamos, fazermos algumas fotos, fomos almoçar e abastecer as motos para voltar a Coldfoot. Depois de abastecer, antes de iniciar a volta, em torno das 14:00, novamente relembramos o briefing da pilotagem e nos atentamos reciprocamente sobre as condições daqueles 35 primeiros Km onde o Patrol estava trabalhando. Já devia estar seco e com pedras soltas.
O ACIDENTE:
Já tinhamos rodado 20 e poucas milhas, quase 40Km desde Deadhorse e estavamos atentos a estrada que, de fato, havia secado e estava com muitas pedras soltas.
Estavamos também muito atentos à segurança e o Marcio ia na frente comigo na distância segura, logo atrás.
Então, ao entrar em uma curva, abaixo das 50MPH (80Km/h) permitidas, o Marcio deu uma balançada, ameaçando uma perda de controle. Mesmo assim, ele respeitou e lembrou do briefing, ou seja, não freiou, baixou marcha, manteve a aceleração, os pés nas pedaleiras e os joelhos junto ao tanque.
Vindo logo atrás, mesmo que a uma distância segura, resolvi bater marcha, manter a aceleração antes de entrar na curva, pois o pavimento estava todo solto. Imaginando que o Marcio fosse cair, conclui ser mais interessante sair do trilho que ele estava para evitar bater nele se ele caisse. Então entrei no cascalho solto fora do trilho e perdi a estabilidade. Também não desacelerei, não freiei, não tirei o pé da pedaleira nem o joelho do tanque, mas a moto não estabilizou e quando ví que nada mais podia ser feito, me preparei pra queda, aliviando a pressão da mão no guidão. A moto caiu de lado e eu passei por cima da bolha. Como diria meu amigo de trilha Tessaro, minha orelha bateu no chão antes que o pé.
Resultado na moto: Bolha quebrada com um coice que eu dei, farol de milha solto e o baulete esquerdo amassado. MAIS NADA, nem um arranhão. Somado com o paralamas que já havia quebrado, esse é o prejuizo total na moto.
Resultado no Gallina; Braço esquerdo saiu do lugar, um arranhão na palma da mão esquerda e uma pequena hemorragia no nervo ótico do olho direito devido a batida no chão com a cabeça. NENHUM ARRANHÃO, nenhum homatoma, nada. Tudo graças ao respeito pela estrada, ou seja, capacete fechado, queixeira travada e viseira baixada. Jaqueta fechada e conectada na calça, botas fechadas e, apesar da temperatura agradável e a vontade de pilotar sem luva, estava tudo no seu devido lugar, isso salva vidas, não tenho dúvidas.
Resultado nos equipamentos: PT no capacete SHOEI, dá pra ver na foto, PT na jaqueta Dainese que rasgou toda no braço e PT na camiseta que os caras cortaram no hospital.
O Marcio parou imediatamente e voltou pra analisar o ocorrido, novamente respeitando o nosso briefing de emergência. Checa o piloto acidentado, tira-o do meio da estrada, chama ajuda, remove a moto e depois de encaminhado o socorro, dá conta da moto, bagagem e etc.
Na sequencia parou um turista médico que falava espanhol, chegou a policia, o pessoal do Pipeline e em pouco tempo eu fui removido para um centro médico dentro da BP (British Petroleum), aquela mesma que vazou petroleo no golfo do Mexico a uns tempos atrás. Fizeram vários Raio X e costrataram que o melhor era a remoção para Anchorage no avião no outro dia cedo.
Fui atendido e o Marcio tratou de buscar as motos e entregar na Carlile para que as removam a Fairbanks, lá para o Dan onde tinhamos agendado a troca de óleo e dos pneus na quinta feira. Depois ligamos para ele, explicamos o acontecido e ficamos de retornar na semana que vem quando voltassemos ao Brasil.
Facilmente concluimos que a aventura estava adiada. Avisamos a familia que já estava preocupado do porque o Spot mandava tanto sinal do mesmo lugar, aquela curva na estrada. Depois liguei para o meu oftalmologista em Pato Branco e ele me disse que não parecia nada grave, apesar da mancha que enxergo no meio do olho direito. Ele também já adiantou que a recuperação é muito demorada, jogando por terra nossa idéia de voltar ainda este ano.
Fomos então para Anchorage de avião, ficamos dois dias e de lá fomos a Miami de onde voltariamos pro Brasil.
Alta temporada nos EUA e ai começaram os problemas para as passagens. A TAM só poderia adiantar nossa viagem para sexta feira, dia 29 e mesmo assim teriamos que pagar uma multa de U$ 1,400 cada um. Fora de cogitação.
Alugamos um dodge charger em Miami e ficamos lá até terça, dia 26, de onde seguimos pra São Paulo via Lan Chile. Em SP estavam o Cmte Paracatu e o PR-AZU nos esperando para uma viagem de 2 hs até PB. Para nossa sorte, talvez pelo preço que pagamos da passagem, a Lan nos acomodou na sua primeira classe em um boeing 767/300. O "cadaver" agradeceu, pois chegou inteiro a SP.
Depois de deixar o Marcio me convencer a ir em um Massoterapeuta, resolvi ir e ver no que dava. O cara é eficiente, botou meu braço no lugar. Tudo bem que agora meu guarda roupas tem uma cueca a menos, mas o braço está muito bom. Pelamordedeus, como dói colocar um nervo no lugar. Thanks Marcio, eu me cobro depois, hehehehehehe. O olho tem que aguardar a recuperação com o tempo mesmo, nada a fazer.
O mais machucado é o ego, pois a viagem foi interrompida. Mas de tudo isso, há uma enorme satisfação porque fomos motociclistas profissionais, respeitamos as motos, a estrada e a nós mesmos em todos os limites. No momento da queda e durante todos os outros 1.600Km da viagem, estávamos RIGIDAMENTE atentos a TODAS as normas de segurança. Não exaltamos em nada, não fizemos nenhuma loucura tentando extrapolar nossos limites. O que aconteceu foi absolutamente imprevisível e inevitável Estavamos da forma correta, tanto que, obedecendo ao que haviamos determinado, o Marcio conseguiu manter a moto em pé sem dano algum.
Claro que a experiencia é válida, mas a consciência está totalmente limpa por termos seguido todas as regras. Vamos voltar e continuar a viagem até o fim. Mas sabemos que outros incautos podem aparecer e estamos certos que estaremos preparados.
Boas "motocadas" a todos. E nos desculpem pelo susto.
Apesar do acidente, muitas fotos hoje. Para vê-las, clique aqui
Denali National Park/Fairbanks/Coldfoot - Parcial 628,3 Km (390,5MT)/Total 1.050,7 Km (653MT)
Acertamos o hotel e as 08:30 tomamos a estrada. Desta vez o sol nos deu as boas vindas. Aliás, até agora, as 10:30 da NOITE e ele está ai forte.
Pilotamos o dia todo com um sol muito bonito. É uma sensação bem estranha, pilotar o dia todo como se o sol estivesse se pondo, é como se fosse o nosso sol umas duas horas antes dele se por. Ele está o tempo todo no nosso ombro, na frente, atrás, direita e esquerda, a sombra sempre tem o mesmo tamanho. Estranho, né.
Chegamos em Fairbanks já eram quase 11:00 e fomos direto para a concessionária BMW, a Trail´s End. O fim da linha mesmo, uma concessionária que também é Harlay Davidson e tá cheia daqueles caras bigodudos, barrigudos, barbudos, cabeludos e todos tatuados. O cara que nos atendeu foi super grosso, disse que não dava pra fazer, não dava pra agendar, que nós tinhamos que estar ali as 9 da manhã de qualquer dia e entrar na fila. Mano Maçaneiro, eu gosto muito de você. Aliás, gosto e admiro, mas se você deixar o cabelo, a barba e a barriga crescerem, se tatuar todo e resolver ser grosso, eu juro que não sou mais teu amigo. Já chega te aguentar andando de HD. HAHAHAHAHAHAHAHA - Brincadeirinha!
Isso que essa foi a segunda que o Keith indicou, a primeira era uma oficina independente muito eficiente. Como era concessionária, resolvemos ir primeiro lá, mas o "harleiro" já resolveu nosso problema. Fomos então para a Adventure Motorcycles e fomos atendidos pelo Dan que foi muito solicito e agendou tudo, inclusive a troca dos pneus para quinta feira logo após o almoço, quando estaremos voltando de Coldfoot.
Abastecemos, comemos algo e nos mandamos para a Dalton Highway, a uns 100 Km pra frente de Fairbanks. Lá chegando, já inciou a estrada de chão, muito boa, diga-se de passagem. Ela tem umas pedras pequenas, tipo brita onde os pneus knobbie mostraram sua utilidade. Muito eficientes e a Bê-ême roncou bonito. Dava pra manter 60/70MPH tranquilamente. Lembrei das lições de pilotagem na trilha, foi muito importante.
Já ali, o oleoduto do Alaska, o Trans Alaska Pipeline System, nos deu o ar de sua graça, avisando que iria nos acompanhar até Prudhoe Bay. Dito e feito, ele está o tempo todo ao lado da estrada, para facilitar a manutenção e de tempos em tempos aparece uma estação de bombeamento gigantesca, parece uma usina termoelétrica. E o pessoal da manutenção com suas camionetes brancas está na estrada o tempo todo.
Só que a estrada muda muito, foram umas 20 milhas de chão e depois asfalto de novo e assim foi intercalando até que apareceu um chão batido muito compacto, melhor que muito asfalto por ai. Bem lisinho, já estava me perguntando como que seria com chuva quando apreceram umas placas de obras e começou a ficar tudo encharcado. Os cara molham a estrada para que ela compacte.
Entrei meio rápido de mais na parte molhada e a Bê-ême deu uma "rebolada". Felizmente, foi só manter a firmeza e a aceleração e ela alinhou, deixando apenas as marcas pra que o Marcio visse a caca.
Pense numa sujeira no meio daquele lamaçal. Analisando a estrada até aqui, dá pra entender o tamanho do pepino que é manter ela aberta. Tem de tudo, trechos de chão, de um material que parece base para o asfalto, asfalto bom, asfalto muito danificado e tome carreta pra tudo que é lado. Além disso, um trecho "sui generis", com muita subida, descidas em curva de altissima velocidade. A neve que predomina em 9 dos 12 meses do ano, avacalha com a estrada, pois além dela, tem o movimento intenso o tempo todo.
Assistindo o Caminhoneiros do Gelo no History Channel, parece exagero, mas tem umas partes da estrada que são "punk".
Passamos então pelo marco do Circulo Polar Ártico, a 60 milhas de Coldfoot. Tem um marco com um monumento e ai já começaram os temidos mosquitos do Alaska. São muitos, mas muitos mesmos e grandes. Tudo o que falam sobre eles é verdade, pense nuns "monstros", quase do tamanho de um pterodátilo, heheheheheheh. Brincadeira, claro, são muitos e grandes e só isso os fazem muito chatos. Não dá pra ficar parado muito tempo. Ali trombamos com um alemão que estava indo de trailer para Prudhoe Bay. Deixou a mulher grávida e o filho em Fairbanks e vai sozinho. Depois, claro, busca a família e se manda pra Köln (Colônia), na Alemanha. O cara (pouts, esqueci o nome do cidadão, mas não era Fritz, hehehe) se encheu de moral quando falamos bem da Fabrica de Motores da Baviera (BMW - Bayerische Motoren Werke) que originalmente foi criada para desenvolver motores de avião. Depois veio as motos e só depois os carros. Você sabia disso?
Chegando em Coldfoot, pagamos a bagatela de $199 para nos alojarmos em um hotel feito de containers. Limpinho e tudo mais, mas caro "pacas, antas e tatus". Esse lugar é apenas uma parada de caminhões, onde tem esse hotelzinho, um restaurante e um posto de gasolina. Preocupados em levar combustível, o pessoal do posto já adiantou que em Prudhoe Bay há combustível a vontade, não precisamos nos preocupar. Encontramos até o Zé Buscapé no restaurante, hehehehehehe. Sabe aquelas coisa que só se vê em filmes? Cara barbudo, cabeludo, usando macacão jeans e com um cachimbo na boca? Tá chei disso aqui.
Além do mais, o "alaskês" é um inglês quase que incompreensivel. Eu pensei que o texano fosse exagerado, mas esse.....
Bom, ainda é dia, mas temos que dormir, amanhã vamos pra Prudhoe Bay. Estamos incomunicáveis, sem internet desde Anchorage, mas estou escrevendo e baixando as fotos no note, então quando conseguir conexão, atualizo tudo.
Também estou tranquilo, pois o spot está funcionando legal, então todos sabem onde estamos.
Anchorage - Denali National Park - Parcial 421,6 Km (262MT)/Total 421,6 (262MT)
Marcamos com o Keith as 08:30 e com a ansiedade toda, acabamos chegando lá antes das 08:00. Demos de cara com um aviso dizendo que ele chegaria as 10:00. Como estávamos cheios de bagagem, eu fiquei na frente da loja esperando e o Marcio teve a difícil missão de ir encontrar café. Por sorte o Keith resolveu adiantar e chegou um pouco antes das 09:00, antes do Márcio e o café.
Lá estavam as "motocas" novinhas em folha. UAU!!!!!!! O único probleminha foi que o Marcio encomendou os plásticos vermelhos e acabou faltando um. Por isso então, ele optou por manter a original, cinza e preto.
Temos então as motos exatamente iguais, a única diferença é que na minha está instalado o spot no guidão. De resto, irmãs gêmeas e com as placas em sequência, a minha 2387RX e a do Marcio 2388RX.
Tudo devidamente organizado, bagagem transferida para os bauletes, a moto adesivada, compramos mais uns kits de ferramentas, reparos de pneus e etc. Não aguentamos e compramos uma jaqueta de pilotagem cada um. Uma baita duma jaqueta termica, impermeável, além de muito bonita por $250, é mole. Agora temos jaquetas que são irmãs gêmeas também.
Ao meio dia, nos despedimos do Keith e fomos então para uma loja de camping e ciclismo atrás de barracas e sacos de dormir. Como tudo nos Estados Unidos, um templo do consumismo, tinha de tudo e de todas as formas. Só não gostei do volume da barraca e do saco e por isso resolvemos ver isso mais tarde, pois pelo que nos disseram, essas lojas ai é igual ao Best Buy, tem uma em cada esquina.
Acabamos comprando apenas uns suportes de garrafas, uma mochila pra máquina fotográfica profissiona e um spray de pimenta. Isso mesmo, para o caso de aparecer algum urso engraçadinho, primeiro eu "finco a mão" na orelha dele. Se não resolver, o que acho bem difícil, taco pimenta no "zóio" do bicho, hehehehehehehe. Brincadeira, é uma medida de segurança mesmo, tem pra vender em tudo que é canto.
E FINALMENTE, enrolamos o cabo na estrada. O pneu knobbie deixa a moto meio instável, pouca coisa, mas dá pra perceber. Certamente vai se comportar bem na estrada de chão. Notei apenas duas diferenças com relação a minha GS edição especial: Essa não tem controle de tração e nem o indicativo da pressão dos pneus no painel. Numa viagem como essa esses itens são importantes, mas não fundamentais.
Para compensar, o tanque tira toda a pressão do joelho e a pilotagem fica bem mais confortável. Além disso, aquela bolha maior, livra totalmente a viseira do capacete do vento. Fica melhor e não cansa tanto. Também não tem que ficar limpando a viseira de tempos em tempos por causa dos bichinhos, eles param todos na bolha. Enfim, apesar da diferenças básicas, a Adventure é realmente bem melhor para a estrada.
No mais é uma maravilha, ronca até mais alto que a minha.
150Km de estrada, rumo a Fairbanks, os dois "bocózitos" aqui resolveram parar e comer um burrito cada um. Minhazarma, pense num troço forte, tomei uns 264,8 litros de água no caminho. Mas tudo bem, o escapamento resistiu e agora tudo certo.
Pouco depois, veio a chuva que nos acompanhou todo o dia. Paramos, equipamos e "pé na estrada". Ao tirar a capa de chuva, achei as mensagens das minhas mulheres escritas por toda ela. Já estava estranhando, pois elas sempre deixam mensagens na minha bagagem quando eu viajo. Estavam escritas por toda a capa de chuva. Agora não está mais, pois apagou, mas eu li todas, algumas com ajuda do Marcio. Depois mais tarde, observei que quase todas as roupas tinham mensagens, muito legal.
Gatas, EU AMO VOCÊS! Já estou com saudades.
Durante a viagem, tocada forte, mas respeitando os limites, o único empeciho foi um grupo de 4 caminhões gigantescos, de duas carretas cada, fazendo nossos treminhões parecerem brinquedo. O limite de velocidade é 65MPH (110 Km/H), mas os caras andavam a 140. Com chuva, uma ultrapassagem é perigosa pra caramba, não dava pra ver nada, um grande risco. Mas um pouco de paciência e tudo certo.
Passando pelo Denali National Park, já pelas 8 da noite (noite uma pinóia) se não fosse a chuva, o sol tava de rachar. Aliás, interessante a sensação térmica, pois a média de temperatura foi de 50º F (8ºC), mas o frio não estava incomodando tanto, apesar da chuva. Imagino que seja a sensação térmica mesmo.
Ai o Marcio teve uma idéia genial. Como amanhã teremos que esperar até as 10 da manhã para fazer a revisão dos 1.000Km lá em Fairbanks, ele sugeriu durmirmos em uma cabana que tem nos inúmeros logdes na beira da estrada. Excelente pedida, cabana grande, calefada, show de bola. A única coisa que ainda não acostumamos foi com o dia deste tamanho, hehehehehe
E já no primeiro dia, infringimos nossa primeira regra, a de não pilotar no final da tarde. Mas que tarde, tá claro o dia todo, eu ainda não vi a noite aqui no Alaska. Só que os caras se baseiam no relógio e já fica até meio perigoso viajar a "noite". Temos que nos acostumar com isso. Além disso, 10 horas da noite é 10 horas da noite, tendo sol ou não, tudo está fechando. Temos que ficar atentos.
Jantamos as 10 da noite num restaurante panorâmico e lá conhecemos o Brian, garçon que bateu altos papos conosco, afinal o restaurante já estava fechando. Nos deu ótimas dicas de sua região, no Arizona, onde ficam as famosas Red Rocks. Vamos passar lá, sem dúvida.
Amanhã revisão em Fairbanks e preparativos para o oceano artico.
Antes de deixarmos a cabana, fui lá fora pegar o GPS da moto e topei com o vizinho, com uma HD placa de Nova York. Ele me olhou, eu sorri e ele se limitou a dizer: Morning! Deve ser o frio, heheheheh
Quase 24 horas voando e finalmente chegamos a Anchorage.
Pato Branco - Cascavel - 00:40 Hs
Cascavel - Foz - 00:20 Hs
Foz - Rio de Janeiro - 02:00 Hs
Rio de Janeiro - Miami - 09:00 Hs
Miami - Houston - 02:00 Hs
Houston - Anchorage - 07:30 Hs
Apesar das pontualidades, para quem não está pilotando, voar é um saco. Mas tudo bem, tirando uma senhora do tipo "wide body" que sentou ao meu lado na perna Miami-Houston e me espremeu contra o Marcio durante duas horas, o resto foi tudo normal.
Infelizmente, tivemos os primeiros sustos da viagem:
Susto nr 1: Nossa chegada estava prevista para Miami as 06:00 local, 07:00 no Brasil. Por incrivel que pareça, as 06:00 já estavamos com a migração feita, com as bagagens na mão e fazendo o check in na Continental para Anchorage. Depois de descobrirmos que teriamos que pagar 25 doleta por bagagem (isso é normal em voo domestico nos EUA), eis que lembramos que haviamos esquecido a caixa com o capacete novo do Marcio na esteira, é mole. Bem, a sorte é que estavamos bem adiantados e nada que duas horinhas esperando a boa vontade do pessoal da TAM não resolva.
Susto nr 2: Em Houston, antes de embarcar pra Anchorage, o Marcio colocou o iPad dele pra carregar e só lembramos de pegá-lo dentro do avião. Ai foi só voltar na sala de embarque e pegá-lo.
Esperamos que esses sejam os únicos sustos da viagem.
Decolamos de Houston, e quase 6 horas de viagem depois, eis que o Alaska nos dá boas vindas da maneira que todos imaginam, ou seja, muitas montanhas e muita neve.
Pousamos por instrumentos total, com chuva e uma baita neblina, deu só pra fazer uma foto da janela molhada.
Já estamos no hotel e amanhã, as 08:30 marcamos com o Keith pra pegar as motocas e as equipá-las.
Estamos apostando que não aguentamos sem ir pra estrada amanhã mesmo.
Caraca, 10 da noite e a maior claridade lá fora. Se não tivesse chovendo, certamente teriamos a companhia de um belissimo sol. Segundo o pessoal da recepção, o sol vai embora lá pela meia noite ou uma da manhã. Confesso que é esquisito ir dormir e acordar com essa claridade como se fosse dia, mas o cansaço ajuda.
Como era o esperado para o dia de hoje, poucas fotos.
Nada como começar uma viagem de moto com uma viagem de avião, ainda mais na "boléia" do bicho.
Saimos as 09:00 com destino a Cascavel onde o Marcio tinha que pegar um capacete lá na Star News. Special Thanks pro Beto, gerente da Star News que mesmo a loja lotada num sábado de manhã, enviou um funcionário nos buscar no aeroporto.
Pra variar, ventão de través alucinante em Cascavel, um pouso bem trabalhoso.
Atentem as fotos da final com o AZU todo atravessado.
Depois de resolver na Star News, fomos direto a Foz, já que uma frente estava avançando e ameaçando nosso voo.
Chegamos em Foz as 13:00 e aguardamos nosso vôo pro Rio, onde estamos agora esperando o embarque pra Miami. De Miami vamos a Houston e de lá a Anchorage onde chegamos as 19:00 local (1 da manhã de segunda no Brasil). Então, proxímo posto provavelmente só na segunda.
Agradecimento especial ao Cmdte Paracatu que trouxe o AZU de volta de Foz para Pato Branco. Obrigado Paraca, sei que a máquina está em boas mãos.
Mas minha viagem começou ontem no final da tarde quando resolvi raspar a cabeça. O Vitorio fez uma festa, até moicano o cabelo ficou.
Depois de raspar a cabeça, fui pra A-1 onde fizemos a janta para os amigos e conversamos muito com todos.
Está chegando a hora. FALTA apenas UM MÊS. O "friozinho" na barriga, a boca seca e a ansiedade já são quase que visíveis, não há mais como abortar a missão.
Blog testado e funcionando a contento. Motos compradas e pagas. Equipamentos comprados (Mochilas, bauletes, suportes, GPS, travas e etc). Passagens compradas e pagas. Saimos de Foz do Iguaçu no dia 16/07 e vamos a Miami. De lá, direto para Anchorage, onde na segunda, dia 18/07 pela manhã, o Keith (Loja BMW) nos entrega as motos e os equipamentos para seguirmos viagem.
Esta foto do post é o modelo que o Márcio escolheu. A minha é cinza escuro e preta.
O dia amanheceu carrancudo, muitas nuvens e uma baita ventania. A temperatura estava bem agradável e tudo indicava que iamos nos molhar. Acabou não chovendo e a poeira do deserto ainda está na moto.
Saimos logo depois daquele "desayuno" maravilhoso dos hermanos, duas media lunas (Aqui chamamos de croisant), uma xícara de café e meio copo de suco de laranja.
No caminho, um ventão de través daqueles que até dificultava um pouco a pilotagem.
Como a viagem estava bem tranquila, tinha que acontecer algo diferente, né, hehehehehe
A uns 100Km antes de chegar a Posadas, quebrou a corrente da moto do Gaida. Era meio dia e ainda bem que o tempo estava carrancudo e até meio frio, senão estávamos fritos, pois não tinha uma sombra por perto. O homem é habilidoso na mecânica também, coisa de meia hora estava tudo certo e pronto pra andar de novo.
Passamos por Posadas, demos uma volta na costanera e, para variar, não tinha gasolina. Por sorte encontramos um posto na estrada.
Passados uns 30Km de Posadas, fomos abordados pela policia e os caras disseram que eu havia feito uma ultrapassagem em um lugar proibido. Atá pode ser mesmo, pois tinha umas reformas e a galera tava meio lenta. Bom, depois de muita conversa em um espanhol quase que hispanico, consegui convencer o guardinha a pagar a multa pra mim depois. Claro que deixamos a grana com ele para que pudesse pagar. Gente boa o argentino, né? Se eu não tivesse "adiantado" a grana da multa pra ele, teríamos que ficar em Posadas até abrirem os bancos para pagarmos coisa de mil pesos. Bom, ali, pagando adiantado, custou 50 pesos.
E eu já estava pensando em colocar no post que não tivemos problema algum com a policia. Aliás, até aquele momento, nem parado tinhamos sido.
Chegamos então na aduana fronteira com o Brasil, em Barracão. Fizemos os trâmites legais e como já estava quase escurecendo, resolvemos tocar direto a Pato Branco o quanto antes para evitarmos aquele trecho a noite. Eis então que o Gaida resolve parar, em Marmeleiro, para trocar a viseira e percebemos então que o bauleto dele havia sido forçado lá na aduana. Por sorte não abriram. Chegando aqui em Pato Branco, chamamos o Amarildo, um chaveiro amigasso que, mesmo não atendendo 24hs, resolveu o problema num domingo a noite, com a maior presteza.
Segunda pela manhã, o Gaida segue viagem para Curitiba e eu fico por aqui.
Meu objetivo foi cumprido com êxito, a idéia, além de testar esse blog era fazer um "esquenta" antes do Alaska.
Obrigado ao Gaida pela companhia e pelas dicas. Nos cruzamos por ai, boa viagem até sua casa.
O total da minha viagem foi de 5.685 km em 10 dias.
A noite foi cruel comigo. O Gaida resolveu serrar uns 45 metros cubicos de lenha. Pense numa barulheira. A sorte é que ele usou uma serra elétrica, então só barulho, sem gases. O Jacir me falou que para esses casos tem que puxar travesseiro, chutar a cama, puxar coberta. E não é que deu certo. Não sei o que deu no "loirinho simpático", pois nos outros dias não houve esse tipo de atividade, deve ter sido saudades do Rio Grande amado, hahahahahaha
Já tinham me falado que Salta é meio que o ponto de partida para outros passeios e que ali, propriamente dito, não tem muito o que fazer. E é isso mesmo, o que se oferece são passeios por onde já havíamos passado.
Demos uma volta pelo centro e vimos muitas igrejas bonitas, mas as que podiam estacionar por perto, estavam sendo restauradas. Então fizemos uma foto na Plaza de Armas e mais algumas no mirante e deu pra bola, seguimos viagem.
Passamos de novo por aquela estrada esburacada da ida, só que agora sem chuva e ver todos os buracos, sinceramente, é mais assustador.
Um pouco mais pra frente, passamos por dois alemães com duas KTM Adventure com placas da Alemanha mesmo. Eles estavam andando muito devagar, até tentamos parar pra conversar, mas não deu. Não sei se não quiseram ou não nos entenderam. Boa viagem para eles.
Durante todo o trajeto, onde parávamos, ouviamos noticias do terremoto no Japão. Que m................
Chegamos a Resistencia e resolvemos atravessar a ponte até Corrientes, uma cidade bem simpática, diga-se de passagem. Já estamos no hotel, daqui a pouco vamos jantar e tomar uma e amanhã seguimos viagem.
Ontem deixamos tudo pronto para sairmos hoje logo cedo e assim o fizemos. As 08:00 já estavamos na aduana do Chile. Uma baita fila e em meia hora estavamos liberados.
Estava frio, coisa de 14º e sabiamos que ia esfriar muito. Saindo de San Pedro há uma reta enorme onde se anda 40km e sobe quase 2.000 metros, então, não dá pra acelerar muito senão o cabeção pira. Chegamos lá em cima com 2ºC, mas com aquecedor de manopla, roupas e segunda pele termícas, tudo certo.
O problema é que a luva termica do Gaida furou e ele estava tendo que parar o tempo todo para aquecer as mãos no motor. Como eu tenho o aquecedor de manopla na BM, emprestei minha luva e peguei a dele. Ai tudo certo e seguimos viagem.
Fizemos aduana no Paso de Jama, entramos na Argentina, tomamos um cafezão e abastecemos as motos.
Nos programamos para abastecer no Pastos Chicos em Susques e lá chegando nos perguntaram se estavamos fugindo do Chile. Ai então ficamos sabendo dos terremotos, tsunami, coisarada e confusão. Nossa primeira preocupação foi avisar a familia e assim o fizemos.
Depois de abastecer, continuamos subindo e chegamos no ponto mais alto da estrada, a 4.170 metros de altura em relação ao nível do mar.
Ai, pessoal do CAP, olha eu no Fox Lima Uno Quatro Zero SEM AVIÃO, que tal?
Nossa idéia inicial era ir até Humauaca, mas como o problema da gasolina está crônico, resolvemos abortar. Fomos até Tilcara, passando por Maimará e as montanhas coloridas. Num posto em que NÃO HAVIA gasolina, encontramos um cara de moto vindo de Humauaca dizendo que lá também não tinha gasolina. Como estavamos a 40Km de lá, seriam 80 Km ida e volta e mais 80Km até San Salvador de Jujuy. Resumindo, não teriamos autonomia e resolvemos ir pra Salta.
Depois de El Carmen, em uma represa rodeada de mansões, próximo a Jujuy a gente pegou Serrinha para Salta. Serrinha mesmo, uma estrada bem estreita, mas com duas pistas e muito bem sinalizada. Muito legal, andamos por uma mata que nos lembrou muito a nosssa Serra do Mar.
Serrinha bonitinha, engraçadinha, ajeitadinha, organizadinha, txutxuquinha, mas andar a 20 por hora por 40 Km me encheu o saco, hahahahahahahah
Brincadeira, o passeio é bem legal, vale a pena.
Hoje fizemos 609 Km e amanhã, depois de conhecer Salta, vamos a Resistência.
Acordei as 4 da manhã para pegar uma van e fui visitar o Geiser del Tatio. Duas horas de viagem pelo meio do deserto até chegarmos lá. O Gaida já conhecia e ficou no hotel. Ao sair do hotel, estava frio mas nem tanto e como não me passou pela cabeça que os geisers ficavam a 4500 metros de altura, imaginei que aquela roupa aquela hora estaria bom. Ledo engano, quase congelei, lá em cima deu -4º, isso mesmo, 4 graus negativos. Nunca me lembrei tanto das segunda pele, trajes, luvas e meias termicas que ficaram quentinhas no hotel, caramba. Mas tudo bem, quando amanheceu, melhorou um pouco, mas mesmo assim não tive coragem de entrar na piscina quente, com a nascente que jorrava água a 45º.
Voltamos para a cidade e chegamos as 13 horas. A paisagem até que é bonita, mas o guia tinha uma paciencia daquelas, demoramos 3 horas pra fazer 80Km.
Visualizar uma das regiões mais inóspitas do nosso planeta e ver ao fundo montanhas com o cume coberto de neve é algo deveras interessante.
Encontrei o Gaida no hotel e almoçamos. Olha só o que encontramos, Crush, algúem lembra disso?
Depois do almoço, fomos para a Laguna Céjar, um lago salgado que a gelera não afunda de jeito nenhum. Fica a 30Km de San Pedro e fomos de moto. No asfalto, tudo normal, só que pegamos uns 10Km de um areião que me deu o maior sufoco, a BM não está preparada para esse tipo de terreno, os pneus não são adequados e a calibragem dos mesmos, menos ainda. Pense num sufoco, lembrei da WR umas 200 vezes. Mas assim validei a importância dos pneus knobbie que vamos usar no Alaska. Marcio, fizemos uma escolha prudente.
Chegando lá, o lugar é explendido, só que o mané aqui não levou toalha e nem chinelo. Como tem uns cristais de sal que impedem que você ande descalço, só analisamos o local e fizemos umas fotos. Ok, ok, eu confesso, o lago era fundo pacaraio e como todos conhecem minhas habilidades náuticas......
Amanhã cedo iniciamos a nossa volta. Vamos sair cedo em direção a Humauaca, na Argentina.
Hoje fizemos só 60 Km, mas 20 off road total, os braços estão pra lá de doloridos, hehehehehe
Começamos o dia com o já tradicional ritual do descarte da cueca.
Tivemos que voltar a Susques para abastecer e o posto estava cerrado, sem nafta, caraca. Tivemos que abastecer no posto que fica junto ao hotel, só 7 pesos e meio o litro, coisa de R$ 4,00.
Ai já nos equipamos para o frio que nos esperava. Segunda pele termica, forros dos trajes, balaclava e meias termicas, luvas e tudo mais.
Nesta hora, outro acessório muito importante da BM foi o aquecedor de manopla. Pegamos 6ºC na cordilheira, mas andando a 120Km/h a sensação térmica foi bem menos. Se aprender a fazer o cálculo, digo quanto deu.
Mas isso não foi o pior. Subimos a 4.800mts em relação ao nivel do mar. Confesso que a sensação é bem diferente da cabine do avião, então esse que vos escreve teve problemas e teve que dar umas paradas. Tudo bem, aproveitei e fiz umas fotos.
Depois da aduana argentina, entramos por San Pedro de Atacama. Nos hospedamos no Hotel Chiloe e demos uma girada pela city, pense num poeirão. Amanhã vamos ver os famosos geisers e nadar naquele lugar que não afunda, hehehehehehehe
Como chegamos cedo, resolvemos ir ao Valle de la Luna em pleno deserto. Não me guentei e resolvi sair da estrada e relembrar os tempos da trilhas.
Me quebrei, a BM afundou na primeira acelerada. Se não fosse o Gaida, tava até agora lá na areia, atolado. Não é uma WR, piazão, prestatenção.
Agora, montamos nosso QG no quarto do hotel, com uma puta ventania e começando a esfreiar. Amanhã, as 4 da madrugada vai ter uma galera esperando no hotel pra ir pros Geisers. Como a conexão aqui é boa, amanhã eu conto o resto.
Quase terminando esse post, eis que aparecem dois malucos, um de Medianeira e outro de Matelândia, amigo do João Lima. São nossos vvizinhos de quarto. Pense nuns caras gente boa. Vamos jantar e contar boas histórias.
Ontem foi bem complicado acessarmos a internet. Näo teve jeito, atè fomos a um posto mas näo deu.
Entäo hoje vou fazer dois posts num sò.
Segunda feira - San Bernardino a Monte Quemado
Atrasamos logo na saida no cafè da manhä, pois tivemos que fazer o acerto da pousada e estavamos em sete, pense num rolo. No final sò 3 milhöes e poucos guaranis. É quase uma fortuna, se a relacao em R$ nao fosse 200 pila, hehehehehe
Depois tivemos que encarar o contorno de Asunciòn, um tumulto só, mas no final deu tudo certo, chegamos nas famosas retas argentinas.
É uma delicia, estrada reta, plana e sem uma alma viva para atrapalhar. Entäo rendeu muito bem a viagem, apesar dos atrasos na saida, contorno e nas aduanas e acabamos chegando a Roque Saenz Pena bem adiantados. Isso sem falar na falta de combustìvel que está rolando aqui na Argentina. Por isso, resolvemos seguir viagem e acabamos chegando no final da tarde em Monte Quemado. Encontramos um hotel legal e acabamos ficando por là mesmo. Depois de instalados no hotel, fomos procurar gasolina e nao fomos felizes, tivemos que esperar pro outro dia de manha, onde rolou uma baita duma fila. Mas deu tudo certo.
No caminho trombamos com a galera do Bodes NO Asfalto, paramos pra fazer umas fotos mas nao conseguimos descobrir pra onde eles iam, heheheheheheheh
Como estavamos adiantados, reolvemos ir direto a Susques para adiantar a ida para San Pedro do Atacama.
Logo na saida de Monte Quemado, tem uma fazenda de gado confinado ao ar livre, bem interessante. Paramos e fizemos umas fotos.
Bom, ai a coisa desandou de vez. A estrada boa deu lugar a uma buraqueira sem explicacao. O pouco movimento transformou-se num inferno e, para completar, chuva.
Chegando já próximo a Salta, a estrada melhorou muito, o movimento diminuiu, mas comecamos a ter dificuldade em abastecer as motos, principalmente a do Gaida, uma XT660 que tem 200Km de autonomia.
Passando por Salta, rumamos a San Salvador de Jujuy e logo depois rumo a Purmamarca.
Ai o sol voltou, a estrada é muito bonita, só que comecamos a subir e consequentemente, a esfriar, e muito. Mas a paisagem compensou muito, vale a pena conferir as fotos. Fizemos as primeiras fotos a 2145 metros de altura em relacao ao nivel medio do mar.
A Cordilheira dos Andes nos foi apresentada, imponente logo após o Salar Salinas Grandes que, segundo o Gaida é o segundo maior salar do mundo.
As 18hs e uns 10 minutos antes de uma baita chuvarada, chegamos ao Hotel Pastos Chicos, uma instalacao excelente. Agora estamos esperando o jantar para amanha, nao muito cedo porque esta muito frio, irmos para San Pedro de Atacama.
Jantamos trutas andinas saborosissimas.
Olha que interessante, no hotel, conhecemos um casal holandes com 3 filhos que está andando pela América do Sul desde o Natal para encontrar um lugar para morar com os filhos. Disseram que näo väo para o Brasil porque é muito perigoso, é mole? Eu disse pra eles lerem os jornais e ai väo ver que andaram chutando a bunda dos bandidos no Rio e que se estäo procurando lugar seguro, porque näo ficam na Holanda, hehehehehehehe
É, fiquei puto, näo gosto que falem mal do Brasil. Convidei eles pra conhecerem Pato Branco. Mas acho que näo väo. Tudo bem, nem gostei deles mesmo, hehehehehehehe
A dona do hotel tinha uma garrafa termica com um adesivo da revista Demoto, do nosso amigo Rubens Camargo.
Hoje rodamos 610Km
Para ver as fotos deste dia, clique
Nao tem jeito, a internet aqui também é uma nheca, vamos ver o que dá pra fazer amanha.
Fui!!!!!!
Agora, já em San Pedro do Atacama, com uma conexão internet decente, estou postando as fotos.
Depois de iniciar o dia com um belo café da manhã, seguimos para o centro da cidade, ponto de encontro para realizarmos o passeio até ao arredores.
O grande lance do dia é que desde a época da minha faculdade, no inicio dos anos 90, eu não pilotava a moto sem capacete, ainda mais numa rodovia.
Claro que não vamos falar em segurança, mas aquii ninguém usa o ´casco´. Pra quem está acostumado com esse acessório crucial, fica meio estranho, mas...........
Fomos até uma cidade vizinha mais no alto e de lá deu pra ver o lago quase todo.
Almoço no clube Nautico e no meio da tarde, cá estamos nós dentro da piscina, menos o Gaida que está apanhando do GPS novo.
Amanhã cedo iniciamos a viagem rumo a Presidente Roque Saenz Peña, a uns 600 Km daqui, onde devemos pernoitar para na terça seguir direto a Jujuy.
A partir de agora, somente eu e o Gaida seguimos viagem, o resto do povo volta a Ciudad del Este e posteriormente o Brasil.
A noticia do dia é que uma galera pegou neve no passo de Jama, divisa da Argentina e o Chile, nosso caminho.
2º Dia - São Paulo - Foz do Iguaçu - San Bernardino
Depois de matar a saudade da familia em SP, é hora de seguir viagem. Como São Paulo é uma caixinha de surpresas, era sexta feira de carnaval e estava chovendo, resolvi sair pro aeroporto mais cedo. Meu voo era as 20:30 em Congonhas. Sai do nosso apartamento no Brooklin as 18:15 e para minha surpresa, chegamos ao aeroporto em 15 minutos, não tinha ninguém no check in da Gol e eu ainda peguei aquela poltrona individual do boeing na saida de emergencia. Pensei, hoje é meu dia de sorte. Saimos no horário de SP com destino a Curitiba onde tinha conexão. Ai desandou tudo, era pra eu chegar no hotel em Foz a 1 da manhã e cheguei as 4.
As 08:30 do sábado já estava no Pico e logo em seguida o pessoal chegou e nos mandamos com destino ao Paraguay. Fizemos aduana e as 13:30 chegamos a Caacuape, o santuario de Nuestra Señora de Caacuape, a Nossa Senhora Aparecida deles.
Lá o pessoal de Asunción nos esperava e rumamos a San Bernardino, um lugar as margens do lago Ypacarai simplesmente maravilhoso, limpo, bem estruturado, enfim muito diferente do que estamos acostumado a ver no Paraguay.
O intendente (prefeito) da cidade nos recepcionou e foi decerrada uma placa comemoratiiva ao 2º EBAI.
Fomos em 5 para a Pousada Linda India, e direto pra piscina enquanto a Paula, dona da pousada preparava uma paella. Fazia tempo que eu não comia uma paella tão saborosa.
A noite, fomos pro hotel do Lago, uma construção de 120 anos as margens do lago onde jantamos e assistimos shows tipicos paraguaios.
Amanha está confirmado um passeio até uma cidade proxima, no alto, onde se tem um visual completo do Lago.
Viajem iniciada, sai de casa hoje as 08:00 e cheguei em Foz ao meio dia. A moto já está lá no Pico e estou agora no aeroporto esperando meu vôo para SP.
Hoje é aniversário do meu parceirasso Giovani Bertuol, parabéns mano véio, me espere pra festa. Além dele, hoje também minha prima Vani. Parabéns e já sabem, presente só se tiver festa, hehehehehehe
Viagem muito trnquila, 320 km por dentro da Argentina, estrada boa, nenhum movimento. Ou melhor, quase nenhum, na saida de Bernardo de Yrigoyen, logo nas primeiras curvas, tudo embaçado, a galera andando a 20Km/h. Imaginei ser a policia, caminhão carregado, acidente, sei lá. Dava faixa onde podia ultrapassar e ninguém ia, fiquei encucado e resolvi ultrapassar. Adivinha o que era? Um cortejo funebre, isso mesmo, uma galera andando a 20 por hora numa rodovia nacional, é mole? Tinha até limosine.
Confirmamos a viagem para o dia 15/07/2011, só que com algumas alterações, que estão relatadas na guia "A Idéia". Por esse motivo, o blog foi reativado.
Enquanto o Alaska não chega, vou fazer um "esquenta" até o Atacama sozinho. Vou aproveitar o EBAI (Encontro Internacional dos Bodes do Asfalto) em San Bernardino, no Paraguay que acontece no carnaval, para esticar até o Atacama.
San Bernardino fica nas margens do lago Ypacarai, a 50Km de Asunción. Quem quiser mais informações é só clicar aqui
Saio de Pato Branco nesta quarta, dia 02/03 e vou a Foz do Iguaçu, onde no sábado, dia 05/03 o pessoal sai rumo ao Paraguay. Vou deixar a moto na oficina do amigo Pico, da Pico Motos e vou pra São Paulo ver minha esposa e filha que estão morando lá, voltando a Foz no sábado de manhã.
Vou tentar relatar a viagem toda, dia a dia, até mesmo para "pegar o jeito" do blog.
Nestes dias acabamos conhecendo o Ricardo Cilento que estava pronto para ir sozinho ao Alaska.
No dia 08/05 ele confirmou a sua viagem e combinamos de nos encontrar em São Borja, de onde ele faria a exportação temporária da sua moto e sairia do Brasil.
Na terça, dia 12/05, debaixo de muita chuva, saimos em direção a São Borja, mas com a intenção de dormirmos em Ijui. Neste mesmo dia, a noite, logo após chegarmos, o Ricardo fez contato dizendo que estava em Cruz Alta e que, devido ao fato de que o quadro dos problemas em nada melhorava, pelo contrário, piorava, resolveu cancelar sua viagem.
Como estava pertinho, resolveu vir a Ijuí nos encontrar na quarta de manhã.
Nos encontramos, tomamos um café e batemos um papo muito agradável antes de voltarmos todos para seus lares, nós pra Pato Branco e o Ricardo para Floripa.
Esta pequena viagem resultou em mais um amigo motociclista e, apesar da chuva intensa, pudemos fazer uma viagem muito boa, sem contratempos, avalisando a nossa intenção de ficarmos viajando juntos por 60 dias.
Na foto, da esquerda pra direita: Marcio, Ricardo, Gilberto e Marcos.
Deixemos de lado a frustração, pois o bom senso diz que teremos, além do risco do contágio, muitos problemas e atrasos nas fronteiras, especialmente na do Mexico com os Estados Unidos, isso se conseguirmos entrar no México.
Os planos mudam e, a princípio, a nova data de saida é abril ou maio de 2010.
O site continua no ar funcionando normalmente. Esperamos que essa bagunça não vire um problema mundial e que passe logo, logo.
Começamos a semana com a noticia da gripe suina na América do Norte. E tem gente morrendo pra caramba.
Assusta, mas cremos que não deva comprometer nossa viagem.
Enquanto isso, o tradicional poker mensal com os amigos para não perder a prática, afinal, vamos passar por Las Vegas.
Está chegando o dia e aquele friozinho na barriga aumentando.